Publicado por: Mauro de Bias | 23 de abril de 2009

As Pessoas São Estranhas

É estranho como as pessoas se comportam. A formação de grupinhos e panelinhas é algo que sempre existiu não só nas salas de aula, mas também na sociedade como um todo. É algo absolutamente natural, afinal, pessoas que pensam e se comportam de maneira semelhante acabam se identificando e fazendo atividades juntas. Até aí nada demais.

O grupo que entrou na ECO em 2008.1 (no qual me incluo e do qual provém a maioria dos meus leitores, imagino) apenas repetiu esse “fenômeno social”, chamemos assim. Porém, nos nossos primeiros meses vivemos uma situação completamente diferente dessa. No começo tudo eram flores, todos se amavam e as pessoas iam juntas à Praia Vermelha depois da aula pra ficar tocando violão até tarde.

Não sei até que ponto essa união inicial, de certa forma até prolongada, é comum na ECO ou na vida universitária, mas eu nunca vivi uma situação parecida. Nem na FAU, nem no curso técnico, nem no pré-vestibular, nem em lugar nenhum. E nem lembro de ter visto acontecer isso com os calouros de 2008.2 ou 2009.1. O fato é que durante os primeiros meses tudo levava a crer que teríamos 100 pessoas bastante unidas, porque a EC1 e a EC2 estavam sempre fazendo coisas juntas, até as ECOlimpíadas.

Acontece que com o tempo os grupinhos se formaram e aí a coisa se desenvolveu como em qualquer sala de aula. Não dá pra dizer que hoje se vive um clima de guerra na ECO, mas observando alguns grupos percebe-se claramente uma má vontade de uns com relação a outros, chegando ao extremo de ter gente que nem se cumprimenta, sem jamais terem brigado. Outro comportamento estranho também é o de pessoas que começaram 2008.1 com simpatia, alegria e sociabilidade e hoje simplesmente não são mais o que se mostravam no começo. Coincidência ou não, essas pessoas se afastaram até mesmo daqueles que pareciam ser seus grupos.

As pessoas são estranhas.

Publicado por: Mauro de Bias | 19 de abril de 2009

Decadência criativa

Ultimamente tenho andado sem muito assunto pra escrever. Parece que nada acontece na ECO, embora as coisas aconteçam, como a 2ª Semana de Radialismo.

Não quero desativar esse blog, pois gosto desse espaço, mas desde o começo do semestre estou sem inspiração. Gostaria de escrever sobre muitas coisas, mas quando penso na relevância delas pras pessoas que me leem, logo desisto. Eventualmente também sinto vontade de escrever alguns assuntos diversos que, entretanto, seriam muito mais adequados para ficarem guardados no submundo da minha mente ou numa conversa entre melhores amigos. É nessas horas que eu sinto saudades da Fernandinha.

Espero escrever de novo em breve, com algo relevante a dizer.

Publicado por: Mauro de Bias | 7 de abril de 2009

O Dia em Que Falei Sozinho

Já tem muito tempo que eu me considero uma voz que grita só na Praia Vermelha. E, não, não estou falando de vida social, não estou falando de arte, nem de nada disso. Estou falando daquela polêmica que hoje impera no cotidiano da universidade e sobre a qual eu tenho uma opinião significativamente divergente das opiniões dos meus colegas de campus.

Estou falando do Plano Diretor e da transferência pro Fundão. Todos sabem, até porque eu escrevi um longo artigo sobre isso no jornal O Ventilador, que eu sou a favor do plano e das transferências, já que a universidade inteira já deveria estar centralizada na Cidade Universitária desde a década de 70.

Até aí nada de novo, todos sabem que eu sou o único ser vivo de todo o campus que é a favor das transferências, todos sabem que, fora do Fundão, só eu sou a favor do Plano Diretor. Mas a questão é que dessa vez foi oficializado e institucionalizado. Hoje, dia 6 de abril, depois de uma longa discussão, o CA decidiu em reunião que tomará oficialmente posição contrária ao Plano Diretor, às transferências para o Fundão (premissa do plano) e ao REUNI. Eu fui o único a votar a favor do plano e me abstive da votação do REUNI.

Ficou decidido então que o CA vai passar um documento pela ECO dizendo que é contra o Plano Diretor e um outro dizendo que é contra o REUNI, ambos apresentando os motivos do CA para ser contra. E esses dois documentos vão ser seguidos de abaixo-assinados, pois precisamos de legitimidade. Ou seja, para a posição do CA ser reconhecida legitimamente como sendo a posição dos estudantes da ECO, precisamos das assinaturas de quem concorda com o CA.

Portanto, aqueles poucos que se importam com o futuro da ECO e da UFRJ, devem ficar atentos a esses abaixo-assinados, que serão entregues à Congregação da nossa unidade e ao Conselho Universitário.

Eu, a ovelha negra da Praia Vermelha

Eu, a ovelha negra da Praia Vermelha

Publicado por: Mauro de Bias | 21 de fevereiro de 2009

Voltando às atividades

Na terça-feira, cheguei às 9h da manhã, tendo passado incólume pela balbúrdia na qual se transformou o trânsito da cidade com o fechamento do Túnel Rebouças. Fui à Praia Vermelha nesse dia pra acompanhar a reunião do Grupo de Trabalho do Plano de Ocupação e uso da Praia Vermelha. Esse grupo é bem mais aberto e democrático do que o Grupo de Trabalho do Plano de Ocupação e Uso das Unidades Isoladas, que é coordenado pelo professor Carlos Vainer. Ele é uma pessoa por quem eu nutro um profundo desapreço, mas não vou discorrer em adjetivos para evitar processos com os quais não posso arcar. Eu só espero que ele não venha como candidato à sucessão da reitoria na próxima eleição, como suspeita o DCE.

Enfim, fui lá ver qual era a do grupo da Praia Vermelha. Eles se reuniram numa sala de aula da Economia e foram completamente abertos à participação de quem quisesse colaborar. Nessa primeira reunião eu participei somente como ouvinte. Um dos professores, representante do CCJE, conseguiu desviar o assunto da reunião e fazer com que o grupo perdesse muito tempo debatendo assuntos que não eram de sua alçada. Um completo desperdício, ele mais atrapalhou do que ajudou na reunião. E ainda por cima deu ideias completamente estapafúrdias para o desenvolvimento do campus da Praia Vermelha.

Há dois consensos entre o grupo, o primeiro é que o Palácio Universitário deve virar um centro cultural, mesmo sendo grande demais pra isso. O segundo é que a transferência para o Fundão é inevitável se as unidades quiserem se expandir. As ideias debatidas foram as seguintes:

1 – Beatriz, coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura – Ampliação significativa da estrutura do Fórum com a criação do centro cultural. Vai apresentar a proposta na próxima reunião.

2 – Centro de convenções de médio porte (3000 pessoas). Com isso a zona sul poderia dispor de um espaço de qualidade para receber eventos, simpósios, encontros, fóruns, etc. O Palácio, além de centro cultural, serviria como base de apoio às convenções. A proposta vai ser elaborada e apresentada por um professor que eu não lembro quem é.

3 – Prefeitura Universitária – Jardins. A proposta da prefeitura é simplesmente demolir todos os prédios do campus, exceto o palácio, obviamente, e transformar toda a área num jardim, semelhante ao do Palácio do Catete, embora em nenhum momento o antigo palácio presidencial tenha sido citado.

4 – Representante do CCJE – Esgotar ainda mais a estrutura da Praia Vermelha, construindo prédios no campinho para suportar a expansão dos cursos e somente depois estudar a transferência para o Fundão.

A ideia do representante do CCJE é de longe a mais abjeta. Ele consegue ao mesmo tempo fazer com que a UFRJ persista numa política errônea de multiplicação da favelinha de concreto da Praia Vermelha e projetar a destruição de um espaço de lazer e integração de toda a comunidade do campus, que é o campinho.

As propostas serão apresentadas de forma mais elaborada na primeira semana de aula, no dia 4 às 9h da manhã no FCC e no dia 6 às 14h em outro local, mas no campus.

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Após a reunião, fui almoçar e matar o tempo até uma e meia da tarde, que era a hora marcada pra gente começar a trilha do Morro da Urca, que tínhamos combinado na comunidade. Às duas, saímos da ECO eu, Mauro Petti, Renato, Thor, Gabriel Sampaio e Dario pra fazer a trilha. Eu estava passando mal desde a manhã, mas fui assim mesmo, afinal, eu tinha sido um entusiasta da ideia, não podia simplesmente furar na hora.

O começo
O começo

Logo no começo eu vi entre as pedras um lagarto do tamanho de um sagui. Ele era preto com bolinhas amarelas. Medonho. O Dario foi na frente conduzindo o grupo com tanta intimidade com a trilha que até parecia um nativo, mas toda hora eu tinha que pedir pra ele parar porque nosso companheiro Gabriel Sampaio, o Mr. Guaraçaí Bombadão, precisava parar pra repor energias e ameaçar devolver à terra seu almoço ainda não digerido.

"Peraí, Dario... O Sampaio"
“Peraí, Dario… O Sampaio”

Antes de irmos à estação do bondinho, ainda fomos ao paredão do Pão de Açúcar, só por curiosidade mesmo, mas, novamente ele, Gabriel Sampaio desmoronou como uma jaca no meio do caminho e reuniu suas últimas forças para pedir ao companheiro islandês: “Continuem sem mim”. Era só doce, minutos depois já estávamos todos no paredão do Pão de Açúcar tendo a primeira vista da cidade de um ponto mais alto na caminhada. Após ficarmos amigos dos saguis que se aglomeravam ameaçadoramente e tirar foto com eles, voltamos pela trilha pra subir até a estação II do bondinho, a do Morro da Urca.

A baía vista do paredão do Pão de Açúcar
A baía vista do paredão do Pão de Açúcar

Paramos alguns minutos numa bifurcação, por onde passou uma velhinha italiana que tinha mais disposição (e aparentemente saúde) do que o Sampaio. Ela continuou subindo sem nem parar pra descansar. Foi o que nós fizemos logo depois, afinal a subida maior já tinha acabado, não tinha mais preocupação do Sampaio cair no meio do caminho e obrigar a gente a ligar pro 193 (ou pro Sinaf, dependendo do estado dele).

Se eu fosse um bom fotógrafo não tinha fotografado o heliponto.
Se eu fosse um bom fotógrafo não tinha fotografado o heliponto.

Chegamos finalmente ao topo do Morro da Urca, eram pouco mais de 4 da tarde. Demos umas voltas no lugar, tiramos fotos e depois paramos nos bancos de madeira pra ficar olhando a cidade. Não me admira que os cariocas se orgulhem de dizer que vivem na cidade mais linda do mundo. Ela é mesmo e ponto. Do alto (que não é tão alto assim se comparado ao próprio Pão de Açúcar e ao Corcovado, só pra ficar nos mais clássicos) dava pra ver desde a Pedra da Gávea até a Ilha do Fundão, passando pelas praias de Botafogo, Flamengo, Marina da Glória, Santos Dumont e Centro, com destaque para a torre da Central do Brasil, tão pequena vista de lá de cima.

Chegamos
Chegamos

Dario não aguentou muito tempo e foi embora antes que escurecesse. Desceu a trilha sozinho mesmo. Ficamos conversando um tempo vendo o pôr-do-sol, até que o Petti dormiu. Taí uma coisa que ele entende. Na ECO dorme até sem se apoiar na cadeira. Se colocar um óculos com olhos abertos desenhados os professores vão até pensar que ele está acordado. Fomos dar umas voltas enquanto nosso amigo dormia. Já era praticamente uma nova atração turística do Morro da Urca.

O Rio de Janeiro Continua Lindo.
O Rio de Janeiro Continua Lindo.

Ficamos por lá matando tempo e tirando fotos até dar 7 da noite. Depois dessa hora, quem subiu pela trilha pode descer de bondinho de graça. Nesse meio tempo o Renato deve ter feito cerca 35.793 piadinhas, as quais divertiram bastante uma menina gremista que estava perto da gente, acompanhada do namorado… Colorado. Bem, eu aprendi com um tio que tricolor tem que casar com flamenguista. Pra meter no Flamengo todo dia (há). A mesma regra deve valer pros colorados, né?

Reconhece? É o Palácio da Praia Vermelha.
Reconhece? É o Palácio da Praia Vermelha.

No final, um grupo de 6 mulheres turistas aparentemente estadunidenses ainda ficou piriguetando por lá graças a umas caipirinhas (benditas caipirinhas), mas nós éramos 5 e o Petti é casado, então acabou nem rolando nada. Demos uma última olhada na cidade iluminada. Que cena! Aquela imagem me trouxe tantas lembranças à cabeça. O Rio é realmente lindo. Descemos de bondinho. E mais uma vez Gabriel Sampaio deu um exemplo de superação ao entrar corajosamente no veículo pênsil sobre a Praia Vermelha e descer sem demonstrar temor ou receio quanto à segurança do transporte.

Que isso, hein?
Que isso, hein?

No dia seguinte ainda voltamos à ECO para receber nossos novos calouros, mas esse post já está suficientemente grande e digamos que eu não tenha sido aquele que mais presenciou fatos pra poder escrever sobre esse dia.

Publicado por: Mauro de Bias | 3 de fevereiro de 2009

Tietando jornalistas

Como alguns dos meus amigos e colegas já sabem, ao longo do ano passado eu adquiri o hábito de ouvir a Band News FM. Por algum motivo que eu não sei explicar, eu comecei a achar mais interessante ficar informado do que ouvir música. Nisso, substituí o jornal de papel que eu comprava de vez em quando pelos jornais de 20 minutos da Band News. Ia ouvindo no trem e no ônibus a caminho da faculdade e logo comecei a me interessar por dois horários especificamente, o Horário das Corujas, depois da Voz do Brasil, e o horário da manhã, de 7 às 9 com notícias nacionais e de 9 às 11 com notícias só do Rio.

Esse horário de notícias do Rio de longe foi o que me chamou mais atenção, por ter um clima bem descontraído e, com isso, fazer com que eu me sinta em casa. Eu já até disse algumas vezes que eu tenho a sensação de que o Band News Rio é transmitido da cozinha da minha casa.

O hábito de ouvir esses jornais da manhã acabou me levando a uma curiosidade por saber quem eram aquelas pessoas que ficavam falando no meu ouvido. Até que a curiosidade foi dando lugar à admiração pelo trabalho de cada um ali, especialmente do âncora, Ricardo Boechat. Nesse tempo comecei até a assistir o Jornal da Band, sendo que a Band era um canal que a gente nunca tinha dado muita importância aqui em casa. Ter conhecido a Band News me fez perceber que o departamento de jornalismo do grupo paulista é muito bom.

O fato de eu ouvir o Boechat todo dia e vê-lo no jornal da Band fez com que eu fosse aos poucos virando fã dele e com que fosse aumentando a minha vontade de conhecê-lo pessoalmente. É nessas horas que eu paro e penso: “Caramba, que coisa estúpida, eu sou o único fã de jornalistas que eu conheço”. Pessoas são fãs de atores, cantores, pintores, enfim, fãs de artistas em geral. Só eu sou fã de jornalista! Isso me leva a pensar que talvez eu tenha nascido pra esse negócio mesmo. Antes ainda de conhecer o Boechat eu já era fã do Boris Casoy e da Ana Paula Padrão.

Já na segunda-feira da última semana de janeiro, o Boechat avisou: “Nesse final de semana tem sungão vermelho na praia do Leblon”. E tinham me dito da outra vez que eu fui à Band News que quando o Boechat vinha ao Rio ele apresentava os jornais da manhã de segunda-feira na Band em Botafogo, ali do lado da ECO. Decidi que não ia perder aquela oportunidade e que iria a Botafogo de qualquer maneira pra conhecer o Boechat e também o alemão/fariseu/unha de fome/mau-caráter Rodolfo Schneider, jornalista que apresenta o jornal do Rio junto com o Boechat, de quem ganhou todos esses apelidos.

Cheguei lá e tive que ficar esperando um intervalo pra poder entrar no estúdio, de onde acompanhei o programa e toda a movimentação. Falei com um recepcionista/segurança, que chamou um dos repórteres pra me acompanhar. Encontrei no estúdio a Geórgia Christine, com quem eu tinha tirado uma foto na minha outra visita à rádio. Esqueci de perguntar se “Christine” tinha H, mas eu acho que vi escrito com H em algum lugar por lá mesmo. Todos me trataram muito bem, o repórter Flávio Trindade, a própria Geórgia e especialmente o Rodolfo Schneider e o Boechat, que foram simpáticos e receptivos pra caramba. O Boechat mesmo tendo que sair correndo pra pegar um avião pra São Paulo ainda tirou uma foto comigo ali numa boa. Eu ia pedir uma foto com o Rodolfo também, mas eles estavam correndo, discutindo uma pauta pra TV e eu preferi não tomar mais o tempo deles. Acho que já tava bom de tietagem por um dia.

O gigante Boechat e eu

O gigante Boechat e eu

Eu saí com cara de retardado na foto. Bem, não importa. Importa é que eu consegui conhecê-los e tirar a foto. Agora… Deem uma olhada nos pés do Boechat. O Rodolfo, que tirou a foto, fez questão de pegar esse detalhe. É uma esculhambação absoluta!

Interessante que quando eu cheguei lá eu fui reconhecido. As pessoas lembraram que eu já tinha estado lá e que tinha colocado aqui no blog as fotos que eu tirei com as jornalistas Geórgia Christine e Patrícia Tinoco. O mais legal é que eles descobriram o meu blog. Eu não lembro de ter mandado nenhum e-mail com o link nem nada. Pelo menos eu fui ver aqui meus e-mails enviados e não tem nenhum com o endereço do blog. Legal.

Depois ainda dei uma passada na casa da Aninha pra ver se rolava uma praia, mas o tempo começou a ficar com uma cara esquisita. Ela então tentou ligar pra Vanu pra ver se a gente fazia alguma coisa, mas ela não atendia. Devia estar dormindo. Daí fiquei um tempo lá jogando conversa fora e vim embora mais tarde.

Tive que acordar bem cedo pra chegar lá na rádio de manhã, mas valeu muito a pena. Foi tudo bem legal.

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