Na terça-feira, cheguei às 9h da manhã, tendo passado incólume pela balbúrdia na qual se transformou o trânsito da cidade com o fechamento do Túnel Rebouças. Fui à Praia Vermelha nesse dia pra acompanhar a reunião do Grupo de Trabalho do Plano de Ocupação e uso da Praia Vermelha. Esse grupo é bem mais aberto e democrático do que o Grupo de Trabalho do Plano de Ocupação e Uso das Unidades Isoladas, que é coordenado pelo professor Carlos Vainer. Ele é uma pessoa por quem eu nutro um profundo desapreço, mas não vou discorrer em adjetivos para evitar processos com os quais não posso arcar. Eu só espero que ele não venha como candidato à sucessão da reitoria na próxima eleição, como suspeita o DCE.
Enfim, fui lá ver qual era a do grupo da Praia Vermelha. Eles se reuniram numa sala de aula da Economia e foram completamente abertos à participação de quem quisesse colaborar. Nessa primeira reunião eu participei somente como ouvinte. Um dos professores, representante do CCJE, conseguiu desviar o assunto da reunião e fazer com que o grupo perdesse muito tempo debatendo assuntos que não eram de sua alçada. Um completo desperdício, ele mais atrapalhou do que ajudou na reunião. E ainda por cima deu ideias completamente estapafúrdias para o desenvolvimento do campus da Praia Vermelha.
Há dois consensos entre o grupo, o primeiro é que o Palácio Universitário deve virar um centro cultural, mesmo sendo grande demais pra isso. O segundo é que a transferência para o Fundão é inevitável se as unidades quiserem se expandir. As ideias debatidas foram as seguintes:
1 – Beatriz, coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura – Ampliação significativa da estrutura do Fórum com a criação do centro cultural. Vai apresentar a proposta na próxima reunião.
2 – Centro de convenções de médio porte (3000 pessoas). Com isso a zona sul poderia dispor de um espaço de qualidade para receber eventos, simpósios, encontros, fóruns, etc. O Palácio, além de centro cultural, serviria como base de apoio às convenções. A proposta vai ser elaborada e apresentada por um professor que eu não lembro quem é.
3 – Prefeitura Universitária – Jardins. A proposta da prefeitura é simplesmente demolir todos os prédios do campus, exceto o palácio, obviamente, e transformar toda a área num jardim, semelhante ao do Palácio do Catete, embora em nenhum momento o antigo palácio presidencial tenha sido citado.
4 – Representante do CCJE – Esgotar ainda mais a estrutura da Praia Vermelha, construindo prédios no campinho para suportar a expansão dos cursos e somente depois estudar a transferência para o Fundão.
A ideia do representante do CCJE é de longe a mais abjeta. Ele consegue ao mesmo tempo fazer com que a UFRJ persista numa política errônea de multiplicação da favelinha de concreto da Praia Vermelha e projetar a destruição de um espaço de lazer e integração de toda a comunidade do campus, que é o campinho.
As propostas serão apresentadas de forma mais elaborada na primeira semana de aula, no dia 4 às 9h da manhã no FCC e no dia 6 às 14h em outro local, mas no campus.
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Após a reunião, fui almoçar e matar o tempo até uma e meia da tarde, que era a hora marcada pra gente começar a trilha do Morro da Urca, que tínhamos combinado na comunidade. Às duas, saímos da ECO eu, Mauro Petti, Renato, Thor, Gabriel Sampaio e Dario pra fazer a trilha. Eu estava passando mal desde a manhã, mas fui assim mesmo, afinal, eu tinha sido um entusiasta da ideia, não podia simplesmente furar na hora.

- O começo
Logo no começo eu vi entre as pedras um lagarto do tamanho de um sagui. Ele era preto com bolinhas amarelas. Medonho. O Dario foi na frente conduzindo o grupo com tanta intimidade com a trilha que até parecia um nativo, mas toda hora eu tinha que pedir pra ele parar porque nosso companheiro Gabriel Sampaio, o Mr. Guaraçaí Bombadão, precisava parar pra repor energias e ameaçar devolver à terra seu almoço ainda não digerido.

- “Peraí, Dario… O Sampaio”
Antes de irmos à estação do bondinho, ainda fomos ao paredão do Pão de Açúcar, só por curiosidade mesmo, mas, novamente ele, Gabriel Sampaio desmoronou como uma jaca no meio do caminho e reuniu suas últimas forças para pedir ao companheiro islandês: “Continuem sem mim”. Era só doce, minutos depois já estávamos todos no paredão do Pão de Açúcar tendo a primeira vista da cidade de um ponto mais alto na caminhada. Após ficarmos amigos dos saguis que se aglomeravam ameaçadoramente e tirar foto com eles, voltamos pela trilha pra subir até a estação II do bondinho, a do Morro da Urca.

- A baía vista do paredão do Pão de Açúcar
Paramos alguns minutos numa bifurcação, por onde passou uma velhinha italiana que tinha mais disposição (e aparentemente saúde) do que o Sampaio. Ela continuou subindo sem nem parar pra descansar. Foi o que nós fizemos logo depois, afinal a subida maior já tinha acabado, não tinha mais preocupação do Sampaio cair no meio do caminho e obrigar a gente a ligar pro 193 (ou pro Sinaf, dependendo do estado dele).

- Se eu fosse um bom fotógrafo não tinha fotografado o heliponto.
Chegamos finalmente ao topo do Morro da Urca, eram pouco mais de 4 da tarde. Demos umas voltas no lugar, tiramos fotos e depois paramos nos bancos de madeira pra ficar olhando a cidade. Não me admira que os cariocas se orgulhem de dizer que vivem na cidade mais linda do mundo. Ela é mesmo e ponto. Do alto (que não é tão alto assim se comparado ao próprio Pão de Açúcar e ao Corcovado, só pra ficar nos mais clássicos) dava pra ver desde a Pedra da Gávea até a Ilha do Fundão, passando pelas praias de Botafogo, Flamengo, Marina da Glória, Santos Dumont e Centro, com destaque para a torre da Central do Brasil, tão pequena vista de lá de cima.

- Chegamos
Dario não aguentou muito tempo e foi embora antes que escurecesse. Desceu a trilha sozinho mesmo. Ficamos conversando um tempo vendo o pôr-do-sol, até que o Petti dormiu. Taí uma coisa que ele entende. Na ECO dorme até sem se apoiar na cadeira. Se colocar um óculos com olhos abertos desenhados os professores vão até pensar que ele está acordado. Fomos dar umas voltas enquanto nosso amigo dormia. Já era praticamente uma nova atração turística do Morro da Urca.

- O Rio de Janeiro Continua Lindo.
Ficamos por lá matando tempo e tirando fotos até dar 7 da noite. Depois dessa hora, quem subiu pela trilha pode descer de bondinho de graça. Nesse meio tempo o Renato deve ter feito cerca 35.793 piadinhas, as quais divertiram bastante uma menina gremista que estava perto da gente, acompanhada do namorado… Colorado. Bem, eu aprendi com um tio que tricolor tem que casar com flamenguista. Pra meter no Flamengo todo dia (há). A mesma regra deve valer pros colorados, né?

- Reconhece? É o Palácio da Praia Vermelha.
No final, um grupo de 6 mulheres turistas aparentemente estadunidenses ainda ficou piriguetando por lá graças a umas caipirinhas (benditas caipirinhas), mas nós éramos 5 e o Petti é casado, então acabou nem rolando nada. Demos uma última olhada na cidade iluminada. Que cena! Aquela imagem me trouxe tantas lembranças à cabeça. O Rio é realmente lindo. Descemos de bondinho. E mais uma vez Gabriel Sampaio deu um exemplo de superação ao entrar corajosamente no veículo pênsil sobre a Praia Vermelha e descer sem demonstrar temor ou receio quanto à segurança do transporte.

- Que isso, hein?
No dia seguinte ainda voltamos à ECO para receber nossos novos calouros, mas esse post já está suficientemente grande e digamos que eu não tenha sido aquele que mais presenciou fatos pra poder escrever sobre esse dia.